Antigo Testamento - Profetismo

on terça-feira, 17 de abril de 2012

Seminário de Teologia Divino Mestre
Antigo Testamento – Profetismo
Aluno: Alex de Oliveira Nogueira
Série: 4º Ano de Teologia
Professor: Pe. Reginaldo Antonio Ghergolet
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O CONTEXTO HISTÓRICO DA MONARQUIA EM ISRAEL COMO
BASE PARA O PROFETISMO
Em Israel a passagem do sistema tribal para a monarquia se deu pela junção de inúmeros motivos, sejam eles internos ou externos. Paralelo ao surgimento e desenvolvimento da monarquia é encontrado a figura do profeta, como homem de Deus e denunciador de injustiças contra o povo. Tal movimento profético teve etapas distintas se considerado sua proximidade com a estrutura monárquica. Para tanto, deve-se esclarecer o contexto histórico que despontou o surgimento da monarquia e consequentemente o movimento profético em Israel.
A monarquia em Israel remonta o ano 1000 a.C. substituindo o sistema tribal. Internamente o contexto do surgimento aponta para os seguintes fatores: 1. As tribos que receberam territórios mais férteis se enriqueceram e se tornaram mais fortes que outras; 2. Desenvolvimento de técnicas agrícolas (uso do boi para puxar o arado, as cisternas para irrigação do solo, introdução de camelos para o transporte no deserto) que possibilitaram o comércio dos excedentes; 3. Com a desigualdade dos recursos entre as tribos, começam a surgir conflitos intertribos e os juízes também devem apaziguar tais realidades; 4. Corrupção dos próprios juízes (ex: os dois filhos de Samuel 1Sm 8,1-3), que motivaram a injustiça, divisão, insegurança e opressão.
O contexto externo do surgimento da monarquia, segundo John Bright (In: VILLAC; SCARDELAI, 2007, p.49), atenta ao fato de que a confederação das tribos israelitas foi colocada em cheque pela agressão dos filisteus. Este povo possuía uma técnica militar apurada e dominava o ferro, assim como também dificultavam o acesso comercial de rotas importantes pelo mar, as quais interessavam aos israelitas. Neste sentido, Israel necessita se organizar política e militarmente para fazer frente aos desafios lançados pelo surgimento do comércio e ataques militares de outros povos.  
Vale ressaltar que dois textos bíblicos (Jz 9,8-15; 1Sm 8,11-17) demonstram que não era intenção dos camponeses pobres que se estabelecesse a monarquia, mas sim dos ricos residentes nas cidades (1Sm 11,5-11). No texto de Juízes uma fábula dirigida aos notáveis de Siquém mostra que o líder da monarquia seria como um espinheiro com intenções de opressão. O texto de 1Samuel revela a vontade contrária de Deus com respeito a monarquia, lembrando a exploração que um rei realiza sobre o povo para manter sua corte.
Mesmo dentro deste contexto de tradições contrárias, surge a monarquia e com ela uma profecia estruturada em Israel. Diz-se “profecia estruturada em Israel”, pois a figura do profeta não é novidade exclusiva deste povo, mas nota característica de outros povos também. Neste sentido, na iminência de um ataque por parte dos amonitas, Saul se desponta como líder, convoca e vence a guerra (1Sm 11,1-11), dando os passos iniciais da monarquia em Israel.

“A diferença entre Saul e os outros líderes carismáticos é que, terminadas as guerras, eles voltam para suas casas (Jz 8,29), o mesmo não aconteceu com Saul, que, após a vitória, foi proclamado rei e permaneceu à frente do povo (1Sm 12,1.2a).” (VILLAC; SCARDELAI, 2007, p.53).
                                                                
Paralelo a Saul existe a presença importante de Samuel, considerado o último dos juízes e também um profeta que chegou a constituir uma escola, na qual, ele mesmo presidia (1Sm 19,20). Saul é legitimado por Samuel, e tido como rei de Israel. Desse modo, no contexto inicial da monarquia, os profetas (anteriores) possuem uma proximidade maior com a monarquia. Segundo Sicre (1995, p. 226-227) os profetas da origem da monarquia até Amós podem ser classificados em três etapas: 1. Os profetas que possuem proximidade física e distanciamento crítico com relação ao monarca (ex. Gad e Natã); 2. Uma segunda etapa em que aumenta gradativamente o distanciamento físico do profeta com o monarca (ex. Aías e Silo); 3. Numa terceira etapa o profeta tem um afastamento progressivo da corte e uma aproximação maior com o povo (ex. Elias).
Assim, conclui-se que o surgimento da monarquia leva os reis progressivamente a ocuparem o lugar de Deus na vida do povo, e um grande número de monarcas acabam por fazer o “mal aos olhos de Deus”. O profeta surge neste contexto de advento e desenvolvimento da monarquia, como aquele homem de Deus que defende a justiça, os pobres e a Lei de Deus. Portanto, os profetas veem o mundo com os olhos de Deus e denunciam as injustiças da monarquia.   

REFERÊNCIAS

BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Tradução de Gilberto da Silva Gorgulhos (Cord). ed. revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1981.

SICRE, José Luís. Introdução ao Antigo Testamento. Tradução: Wagner de Oliveira Brandão. Petrópolis: Vozes, 1995.

VILLAC, Sylvia; SCARDELAI, Donizete. Introdução ao Primeiro Testamento: Deus e Israel constroem a história. São Paulo: Paulus, 2007.

Mudanças de paradigma na missão

on quinta-feira, 29 de março de 2012


O NOVO PARADIGMA DA MISSÃO NA VISÃO ANTROPOLÓGICA
           
Por: Seminarista Valdinei Gonçalves de Oliveira

O segundo encontro do grupo de estudos sobre missiologia foi conduzido pelo seminarista do primeiro ano de Teologia, Fabio Antunes, com o tema: “O novo paradigma da missão na visão antropológica”, texto de Joaquim Andrade. Os trabalhos foram iniciados com uma breve reflexão sobre o que é antropologia. Em seguida, a ênfase foi acerca da importância de um novo olhar sobre o tema missão e, em conseqüência, sobre a necessidade de um “re-conhecimento” do atual contexto global onde se insere e acontecem os trabalhos missionários.
Pautando-se no texto de Joaquim Andrade, Fabio Antunes citou vários problemas da área missiológica que impedem a concretização efetiva do trabalho missionário; os mais importantes são:

1)     Proliferação de outras religiões no contexto da missão (cristã católica) tais como o budismo, o hinduísmo, o islamismo etc.
2)     O fechamento das religiões latinas em si mesmas, o que dificulta o dialogo entre as diversas denominações religiosas.
3)     A problemática “padres x povo”. Ou seja, muitas vezes os padres (missionários) não são bem aceitos nos trabalhos missionários. Em outras, os próprios missionários são os que não acolhem bem o povo.

Joaquim Andrade define missão como: “ciência da propagação da doutrina de uma religião”. O mesmo buscou explicar de forma pedagógica como foi a invenção da religião. Disse que o primeiro entusiasmo foi com a Natureza, quando o homem tentava se comunicar e conhecer o “totalmente Outro”. Em seguida, abordou o fato da criação da religião. Apontou como principal fator para o surgimento da religião o fator “geográfico”. Ou seja, cada região do mundo primitivo foi capaz de criar uma forma diferente de se comunicar com o “totalmente Outro”. Em algumas regiões os “ver” foi mais importante; em outras os “escutar”. Etc.
            Fabio Antunes em sua apresentação relatou que “a missão não se inicia com o “IDE” dito por Jesus, Mas sim no Antigo Testamento, com a chamado de Abraão, Moisés, Josué…
            Antunes explicou que quando o missionário impõe sua cultura ele deixa de ser missionário e se torna um colonizador. Isso acarreta um modelo semelhante ao realizado pelos primeiros cristãos que vieram para o Brasil. Época em que a Igreja mantinha uma postura missionária agressiva ao impor o catolicismo aos nativos. Com o passar do tempo, muitas críticas surgira contra esse estilo de se fazer missão. Duas mensagens papais procuraram amenizar tal situação: Evangelii Nuntiandi, escrita por Paulo VI em 1975; e a carta encíclica Redemptoris Missio, escrita pelo papa João Paulo II em 1990.
            No que se refere ao novo paradigma da missão, Fabio acrescentou que eles possuem três principais características; a saber:

1) Humildade;
2) Contemplação e
3) Administração.

            O missionário deve ser desapegado (humildade), ver o ambiente onde está inserido e ser sensível ao mesmo (contemplação) e administrar a missão, mantendo a organizada (administração).
            Fabio nos disse que: “O início de toda missão se dá na Trindade”. Por quê? Até o Concílio Vaticano II pregava-se o Eclesiocentrismo, ou seja, a Igreja, os padres e o papa eram o centro da fé cristã. Após o Concílio, passou a ser pregado que o mais importante é o Reinocentrismo, buscando assim levar o Reino de Deus aos povos.
            Terminamos o grupo de pesquisa definindo um novo membro para a próxima explanação e com a seguinte frase: “UMA BOA EVANGELIZAÇÃO É AQUELA QUE COMEÇA POR NÓS MESMOS”.

A MISSÃO NA CIDADE

on terça-feira, 27 de março de 2012

MISSÃO NA CIDADE
             
Por: Seminarista Valdinei Gonçalves de Oliveira

O encontro de hoje foi conduzido pelo seminarista do 4º ano de Filosofia, João Batista de Souza, com o tema: “Missão na Cidade” – Pe. Ari Antônio dos Reis, sdb.
Iniciamos o grupo de estudos com a oração do Missionário e, logo em seguida, o seminarista João Batista passou a falar sobre o que ele achou do texto. Explicou-nos que, de acordo com o texto, a Igrejatem passado por grandes desafios,com a Pastoral Urbana (principalmente tentações, hegemonia, fidelidade). Fidelidade principalmente ao Evangelho de Jesus Cristo e ao que ele resulta em nossas vidas. João continuou falando sobre a Ação Evangelizadora da Igreja e, segundo o autor do artigo, também é um desafio para a Igreja. O autor ainda cita o Documento de Aparecida no que concerne à Ação Pastoral na Cidade. Já abordando temas mais amplos, o autor diz que os discípulos também tiveram dificuldades na missão, tendo um “mandato missionário”.
Ser missionário hoje é anunciar com o desafio de viver esse mesmo Evangelho pregado por Jesus.
João nos mostrou que existem quatro tópicos que foram abordados por Pe. Ari em seu artigo:

1)     SENTIDO DA MISSÃO;

Diz que não podemos ser aquele missionário que sabe tudo, sem perguntar se o outro irá aceitar ou não a oferta que fazemos de anunciar o Evangelho. Não podemos trata-los como “tábulas rasas”, ou seja, pessoas sem informação alguma que se não sabem de nada, não precisam ser salvos. O que vale é a troca de experiências, respeito à cultura. Nós que chegamos ao local da missão é quem somos estranhos a eles. É como se fosse uma pequena fórmula matemática: APRENDER X ENSINAR = ENSINAR X APRENDER
Devemos estar atentos aos interlocutores privilegiados. Armar nossa tenda onde quer que sejamos aceitos.

2)     MISSÃO NA CIDADE;

A cidade também é um espaço de evangelização. Temos que levar em conta que a cidade passa por permanente transformação e que a maioria da população brasileira está na cidade. Por causa disso, essa pluralidade urbana exige dos agentes missionários uma revisão dos métodos e atuação pastoral.
            Com base nisso, podemos elencar oito tópicos acerca da missão:
a)     Modelo de igreja rural no meio urbano
b)     Pretensão da centralidade e hegemonia x ambiente x diversidade
c)      Experiência evangelizadora forte x agente institucional
d)     Relação pastoral x Relação sujeito x objeto
e)     Subestimação dos complexos
f)        Critérios equivocados x Análises urbanas
g)     Ações isoladas x solidariedade x sociedade civil x resposta popular
h)     Despreparo dos agentes x diversidade
A cidade exerce um atrativo na mentalidade dos cristãos que abandonam o meio rural. De acordo com João Batista Libânio: “É a sensação de liberdade, autonomia e individualidade que pesa na decisão de viver na cidade”. Essa influência na personalidade é ilusória, uma proposição contrária da vida do campo. Na cidade, muitas vezes se encontram sem trabalho, acesso à cultura, sem condições de vida digna (moradia, saúde, educação...).

3)     A CULTURA URBANA;
A cultura urbana é um fenômeno que extrapolou seus limites. Ela é mais ampla que a própria cidade ou espaço geográfico.
Isso dificulta ainda mais a missão. Temos que rever a seguinte questão: as pessoas que moram na zona rural já vivem como as pessoas que vivem na cidade, com toda a parafernália tecnológica etc. Isso já faz com que a Torre da Igreja já não seja mais um ponto de referência na cidade, muito menos a praça onde as pessoas se encontravam para conversar. Hoje é tudo virtual, até mesmo dentro de casa.

4)     O AGENTE MISSIONÁRIO;
O agente missionário tem que estar bem preparado. É necessário que se façam algumas perguntas:
  • Como está o planejamento?
  • Como se compreende a missão?
  • Quais os objetivos da missão atuando na cidade?
  • Quais instrumentos levar?
  • O que é prioritário na cidade?
Padre Ari diz que para a Teologia o lugar da Ação Pastoral é tomado em dimensão metodológica e epistemológica. Ele coloca que: “A complexidade da missão urbana ajuda-nos a perdermos a ingenuidade quanto ao sentido da missão. Não somos nós que temos a verdade e nem todos estão ansiosos por ouvi-la”.
A Ação Missionária na cidade deve e pode ter a marca profunda do Evangelho (cf. Jo. 1,1ss).
A cidade é um espaço de esperança, solidariedade, atenção e cuidado com a Vida. Hodiernamente se existe uma necessidade de recuperar-se algo presente que já não existe mais.

“É PRECISO SER LOUCO PELA CAUSA DO REINO” (São Maximiliano Maria Kolbe)






                                                                                             

Indulgências e a Satisfação do penitente

on terça-feira, 20 de março de 2012

As indulgências e a Satisfação do penitente no sacramento da Reconciliação

Quais os reais significados na vida da Igreja e do cristão
Seminarista Rosivaldo Aparecido Lopes Simão
4º Ano de Teologia
Muitas vezes, ouvimos falar de indulgências, até mesmo com significado negativo.
Bom! Primeiramente, devemos saber que, “a doutrina e prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do sacramento da penitência” (CIC 1471, pg. 351). Assim, diante de Deus, o fiel pode obter para si e, também, para as almas do purgatório, o perdão das penas temporais, seqüelas do pecado.
As indulgências se explicam pelo fato de que todo pecado, mesmo que já absolvido, deixa no pecador uma tendência para o mal ou alimenta uma desordem interior. Este desequilíbrio interior deve ser extinto, para que o cristão possa ver Deus face a face na outra vida.
No entanto, no século X originou-se uma instituição que substituiu a prática da penitência tarifada (os penitenciais – códigos que tabelavam as penitências) e das comutações impostas pela Igreja, que livrava o pecador desta tendência ou desequilíbrio interior. Assim, as autoridades eclesiásticas passaram a estipular certas obras de utilidade pública ou de piedade que, se praticadas com grande amor a Deus e repúdio ao pecado, poderiam dispensar o penitente de qualquer outro tipo de satisfação. Estas obras penitenciais a Igreja associa o tesouro dos méritos satisfatórios de Cristo (tesouro do qual a Igreja é a Dispensadora), num gesto de indulgência. Tais obras, portanto, foram chamadas “obras indulgenciadas”, porque enriquecidas de indulgências. Estas podem ser assim, indulgenciadas orações, esmolas, peregrinações, etc.
Contudo, precisa entender que a Igreja nunca vendeu o perdão dos pecados, nem vendeu indulgências. O perdão dos pecados sempre foi pré-requisito para as indulgências.
Existem dois tipos de indulgência: a plenária, que livra de toda a desordem interior, e a parcial, que livra de parte desta. A indulgência parcial pode ser alcançada àquele que recita o terço em particular, do Credo, do Magnificat, do Salmo 50, o ensino ou aprendizado da doutrina cristã, a Comunhão espiritual, a leitura da Sagrada Escritura como alimento espiritual ao menos de meia hora, etc. A plenária pode ser lucrada àquele que adorar o Santíssimo Sacramento durante meia hora pelo menos, recitação do terço na Igreja, oratório, em família, comunidade religiosa ou em uma associação piedosa. Exercício da Via Sacra, perante as estações legitimamente erigidas, etc.
Porém, diante de tudo isso, ninguém pode ganhar indulgências sem que tenha anteriormente confessado as suas faltas e haja recebido o perdão das mesmas, pois, as indulgências não têm em vista apagar os pecados, mas contribuir, mediante a participação de um grande ato de amor, para eliminar as conseqüências ou resquícios do pecado.
Como falamos, antes é necessário confessar seus pecados, reconhecer suas faltas ao sacerdote para ganhar indulgências. E a cada confissão somos convidados a praticar obras satisfatórias, atitudes de expiação ou penitência, como todos conhecem. Porém, sempre nos cai a duvida se existe uma forma de satisfação definida pela Igreja. E mais, se esta penitência imposta pelo sacerdote é obrigatória.
Primeiramente, não há uma forma definida de penitência em que o padre vai com uma lista e escolhe, apesar de que este era o costume da Igreja na Idade Média, chamada penitência tarifada. Ou seja, a formas ou obras de satisfação devem adaptar-se a cada penitente, para que cada um restaure o desequilíbrio do pecado e possa curar-se com o remédio adequado ou satisfação adequada.
Em segundo lugar, a satisfação é obrigatória, conforme nos diz o Código de Direito Canônico (CIC cân 981). Pois, “a verdadeira conversão se completa pela satisfação das culpas, pela mudança de vida e pela reparação do dano causado” (Rito da Penitência, introdução, n. 6, c).


REFERÊNCIAS:

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Edição típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 1997.

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. 7.ed. São Paulo: Loyola, 2001.

on sábado, 17 de março de 2012

Cartilha de Normas Técnicas do Seminário de Teologia e Filosofia

on quinta-feira, 15 de março de 2012

ENTRE ESSENCIAL E SUPÉRFLUO:  A BUSCA POR UMA SUSTENTABILIDADE RESPONSÁVEL
Alex de Oliveira Nogueira*

            O leitor deste blog deve notar que o contexto atual da sociedade global passa por notáveis mudanças no meio ambiente. A maioria delas é de cunho negativo, pois atentam diretamente ao bem estar do ser humano e de toda biodiversidade existente no planeta. São frequentes as notícias de desastres naturais. A natureza passa por transformações que fissuram a regularidade que lhe era própria. Diante disso tudo, o homem, único ser racional dentro da biosfera terrestre, fica incomodado com o tétrico cenário que se desponta, mas na maioria das vezes continua vivendo da mesma forma. Apenas se incomoda, mas não muda seus hábitos! Pautado nesta realidade, este artigo tem como objetivo refletir sobre as atitudes sustentáveis que o ser humano pode realizar se pautando no essencial. 
            A sociedade de modo geral está inserida num sistema econômico, o capitalismo, que impulsiona o ser humano a consumir. “Consumindo é que nos tornamos gente, pois quem não consome fica fora dessa dinâmica envolvente”, prega o capitalismo. É a este fato que podemos lançar uma das bases para a letargia humana em mudar seus hábitos. Nas escolas, nos meios de comunicação e nas igrejas a conscientização diante do desequilíbrio ambiental é real, e o ser humano acaba incomodado com tudo isso, mas permanece vidrado em seus hábitos consumistas. Desse modo, observemos o que consiste de fato o “consumo”.
            Todo o ecossistema precisa consumir para sobreviver, desde os seres microscópicos, passando pelas maiores criaturas até chegar ao homem. Isto é uma lei natural. O problema está na maneira que se consome para sobreviver. Cada ser que habita a terra tem uma necessidade específica de consumo para que sua sobrevivência seja saudável, chamamos esta necessidade específica de “o essencial”. Quando se inicia um processo de consumo desnecessário, chamamos de “supérfluo”. Aqui está uma das chaves para a questão ambiental. O homem, um ser entre outros, com a diferença específica da racionalidade, acostumou-se, motivado pelo sistema capitalista, a viver sustentado pelo supérfluo.
            Quando a dinâmica de sobrevivência é sustentada pelo supérfluo indo além do essencial, dizemos que faltou sustentabilidade. A sustentabilidade é um conceito onde o homem dá condições para o meio ambiente continuar se sustentando, ou seja, renovando-se e possibilitando vida a todos os seres do ecossistema de maneira perene, para esta e as outras gerações.
O capitalismo e sua forma de consumo supérfluo quebra a sustentabilidade. Portanto, se o homem deseja continuar habitando a terra de maneira saudável e tranquila, deverá incluir em sua conduta diante da sociedade e de si mesmo a realidade da responsabilidade. Uma das pontes de superação ao consumo, não é esperar a mudança global do sistema, mas iniciar no agora de nossas vidas atitudes de consumo responsável, em outras palavras, de consumir o essencial, visando à sustentabilidade do ecossistema terrestre.
Saber de tudo isso e se incomodar com tal realidade, a maioria dos homens já o faz, mas mudar os hábitos responsavelmente, isso é atitude que ainda precisa crescer na vida de toda humanidade, a começar por nós. Por fim, lembremo-nos de nossos avôs e das gerações passadas, viviam com muito pouco, às vezes até privados do essencial, mas conseguiam sobreviver. Recordo aqui um fato particular. Minha avó todo sábado pela manhã ia até a feira da cidade e levava uma sacola grande e reforçada com a estampa de Nossa Senhora Aparecida, e ali trazia as verduras suculentas para a semana toda sem o uso de nenhuma sacola plástica. Hoje as grandes redes de supermercados começam adotar a dita “sacola ecológica”. Isso já não era ideia de nossas avós? Quem diria! As gerações passadas já viviam de maneira sustentável sem mesmo ter a consciência que temos hoje. São nestas iniciativas que encontramos caminhos para um futuro sustentável e responsável, onde o essencial é valorizado e o supérfluo vira supérfluo.



* Estudante do 4° Ano de Teologia do Seminário Divino Mestre – Jacarezinho (PR).

O ministro do Sacramento da Penitência e o penitente

on terça-feira, 13 de março de 2012

OS PADRES SÃO HOMENS COMO NÓS. DE ONDE VEM O PODER DOS SACERDOTES PARA A REMISSÃO DOS PECADOS DOS FIÉIS?

Seminarista Alex de Oliveira Nogueira
4° Ano de Teologia

Toda pessoa que tem fé em Deus pode um dia se deparar com a dúvida, assim como também aquele que não crê está sujeito a duvidar da sua própria convicção incrédula. Sabemos, portanto, que a fé é dom de Deus, que pode ser acolhido pela pessoa humana com generosidade. Ao pairar a dúvida a respeito do poder que o padre tem de perdoar os pecados, pode-se procurar entender melhor a fé que na Igreja Católica se professa. Para tanto, o Catecismo da Igreja Católica (parágrafo 1444) ajuda nesta caminhada: “Conferindo aos apóstolos seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor também lhes dá a autoridade de reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial de sua tarefa exprime-se principalmente na solene palavra de Cristo a Simão Pedro: Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16,19)”.
       Desse modo, o ato de confessar os pecados ao sacerdote é uma entrega total a misericórdia de Deus que age na pessoa dele. Este, por sua vez foi ordenado por um bispo (sucessor dos apóstolos) e tem, portanto, a assistência do Espírito Santo, da mesma forma que os apóstolos receberam de Jesus: “Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos (Jo 20, 22-23)”. Assim, o sacerdote é instrumento de Deus, e age em nome Dele, mesmo que esteja em estado de pecado. A graça de Deus é maior que as misérias humanas. Deus tem um modo desconcertante de agir, exalta os pequenos, os humildes, por isso usa instrumentos frágeis para demonstrar sua grandeza. Confiemos em Deus e em sua misericórdia que se manifesta no ministro (sacerdote) da confissão.

QUAL O CAMINHO A SER PERCORRIDO PELO PENITENTE PARA QUE A REMISSÃO DOS PECADOS SEJA FRUTUOSA NO SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO?
      
O fiel que deseja frutuosamente viver o sacramento da reconciliação pode percorrer um caminho indicado pela Igreja, fruto da própria organização que o sacramento dispõe. Em primeiro lugar, recomenda-se a contrição, onde existe o arrependimento do ato de pecado, pois o fiel percebe o quanto se afastou do amor de Deus e deseja agora não mais fazê-lo. A contrição deve ser diferenciada da atrição, onde o fiel se arrepende por medo de ser condenado ao inferno na vida eterna. Um segundo passo, é o exame de consciência que leva a análise de como tem sido a vivência junto a Deus, aos irmãos e a si mesmo. Num terceiro momento, tem-se a confissão dos pecados diante do sacerdote, a qual é feita com espírito de humildade e confiança na misericórdia de Deus que cura do pecado e age através do ministro. Em seguida, o sacerdote após fazer breve conselho ministra a absolvição, libertando o fiel da realidade do pecado e dando oportunidade a uma vida nova em Cristo. Por fim, a satisfação é recomendada pelo sacerdote como meio de reparar a ordem que foi lesada pelo pecado e curar o fiel que cometeu tal pecado. A satisfação é como um remédio próprio para cada situação específica. Assim percorrido este caminho (contrição, exame de consciência, confissão dos pecados, absolvição, satisfação) o cristão poderá realizar uma frutuosa e santa confissão de seus pecados. Lembre-se sempre da frase de Santo Agostinho: “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”.

REFERÊNCIAS


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Edição Típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 1999.


BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Tradução de Gilberto da Silva Gorgulhos (Cord). ed. revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.


BECKHÄUSER, Frei Alberto. Presbiteral. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 98-99.


CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. 4°ed. São Paulo: Loyola, 2001.